Há um ano atrás, exatamente a essa hora, estávamos na estrada a caminho de Natal. Saímos de Uberlândia no dia 1º de março e chegamos aqui no dia 4 .....depois de muita gasolina, muita poeira, muita baba de cachorro, muitos salgados de posto, muito calor e principalmente muito sol na moleira...
Viagem longa.... mas muito divertida.
Viemos eu, Marcelo, Ruffus e Duane e mais algumas malas de roupa, uma barraca de camping, dois sacos de dormir e um tanto de ração. Apertadinhos na nossa parati azul atravessamos cerca de 6 estados (Minas, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Paraíba até chegar no RN) ao som das melhores de Jackson do Pandeiro. Passamos por lugares históricos... e por q não dizer por lugares musicais.
Por cada cidadezinha q passávamos eu ficava feliz por lembrar uma música de Luiz Gonzaga e pensava: "A- há., tô no caminho certo!!!!!" Era a minha estrada de pedras amarelas! Cada placa na estrada me remetia a músicas q ouço desde a infância: Riacho do Navio, Rio Pajeú , Rio São Francisco, Propriá , Juazeiro, Petrolina, Sobradinho, Arapiraca, Campina Grande, Caruaru ....
Mas foi a Bahia q transformou por completo minha concepção de distância. A Bahia q sempre me pareceu tão longe e de repente.... o longe virou perto. Quando chegamos lá a viagem só estava começando.
Em Feira de Santana nosso carro estragou, mas por sorte, em frente a uma oficina mecânica. Difícil foi o coitado do mecânico ter coragem de entrar no carro quando mirou a lanterna e viu os olhinhos dos meninos brilhando lá atrás.
Em Alagoinhas colocamos os cachorros pra dormir dentro do quarto imundo com a gente e então descobrimos oq Duane não faz nas madrugadas.... ele não dorme e não deixa ninguém dormir.
Em Sergipe, graças às necessidades fisiológicas dos cachorros, conhecemos o supermercado de uma cidadezinha chamada Umbaúba, onde tivemos q comprar muito desinfetante e panos de chão.
Em Pernambuco, viajamos por horas e horas, na noite chuvosa, numa estrada totalmente esburacada por causa da duplicação da rodovia até chegarmos em Recife, onde nos perdermos. Lá tivemos q perguntar ao frentista do posto onde ficava o motel mais próximo e ouvir sua explicação sobre o caminho para chegar num “motel de família” (palavras dele!).
Chegando na Paraíba ficamos assustados ao sermos perseguidos por um carro q nos fechou e nos obrigou a parar, q nem a polícia faz nos filmes de ação. Era um funcionário da receita estadual q por algum motivo desconfiou da nossa bagagem e decerto da nossa cara de meliante.
Aprendemos muitas coisas, conhecemos muitos lugares.... Eu, entre tantas coisas, aprendi muito sobre meus cães.... Descobri q eles não fazem xixi em qualquer lugar, não. Portanto, não basta parar o carro na beira da estrada de 3 em 3 horas e pensar q 5 minutos ali vai resolver o problema, pq não vai..... a coisa tem q ser muito bem estudada e avaliada pelos dois e só depois de andarem muito, cheirarem muito e avistarem um montinho de areia lá no meio do matagal....é q eles se sentem à vontade.
Aprendi como somos tão diferentes e tão parecidos, o Ruffus puxou a mãe e o Duane puxou o pai. O Ruffus não quer papo, entra no carro e já tomba dormindo enquanto o Duane fica acordado a viagem toda querendo puxar assunto.
Aprendi q meus cachorros compõem muito bem com as cores da Jaimaca.
Mas não fui só eu quem fiz grandes descobertas, não. Os cachorros passaram por situações q cachorros mineiros jamais teriam imaginado. Como, por exemplo, uma danada de uma cabra q resolveu se aproximar.... e foi chegando perto... e foi chegando perto.... os dois só de olho e decerto pensando: “esses cachorros aqui do nordeste são muito esquisitos”, quando ela já estava a uma distância preocupante e eu já estava mais q apavorada com medo de não conseguir seguras os dois, ela disse: "béhhhhhhhhhhhhhhh" e foi-se embora. “Como assim béhhhh???????” penso eu q eles pensaram, mas nada responderam.
Paisagens incríveis, tons de verde inexplicáveis, pedras gigantescas, pores do sol inacreditáveis, feirinhas de artesanato aos montes, rios e mais rios de água calma q refrescavam só de olhar...
De sol a sol, de buriti à xique-xique, do interior ao litoral, de pão de queijo à tapioca com ginga, de Minas Gerais ao Rio Grande do Norte...
4 dias de muita aventura q ficarão pra sempre guardados nas nossas memórias.