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sábado, 17 de dezembro de 2011

Nem se despediu de mim

E então  uma ligação me acordou às 7 da matina, numa manhã em que eu poderia dormir até às 10hs!
Eu me enfureci, e xinguei, e praguejei horrores tal absurdo.
Me levantei bravona, assim como fico quando sou acordada e entrei no banheiro chutando a porta.
Eis que me deparo com um filhotinho de gambá que se afogava no meu vaso.
Nem me pergunte como ele foi parar lá. Na certa, já estava morando comigo há alguns dias e eu nem tinha notado.
Coloquei um cabo de vassoura lá dentro e disse: agarre firme!
Ele se agarrou, mas era escorregadio, e ele caiu. Mostrou os dentes e gritou.
Eu disse: EEEEEI, não briga comigo!
Então peguei um outro cabo, agora de madeira e deu tudo certo.
Aí, levei o Sr. Irritadinho pro quintal pra tomar um solzinho e se esquentar. Ele ficou meio tímido no começo, mas assim que deu uma esquentadinha começou a investigar todo o jardim.
Entrei rapidinho pra perguntar pro google como cuidar e alimentar um filhote de gambá.
Fiz comidinha e tudo. Quando cheguei, ele já tinha ido.
Só me fez apaixonar e depois sumiu...


Esse não é o Sr. Irritadinho, não tirei foto dele... ele era bem mais novinho.  O galã aí de cima é o Sr. minha-casa-é-um-ovo-de-páscoa... uma outra história que fica pra uma outra vez

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Das coisas que desconhecidos escrevem e eu acho que foi pra mim

acabei de ler isso em algum lugar e tive q roubar ....

"Nós humanos, antes de morrer, precisamos aprender a amar o próximo, perdoar e ser fiel, os cachorros já nascem sabendo, por isso eles não precisam viver tanto!"


saudade da minha Isi


segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Das coisas que eu podia ter feito e não fiz


e Carpinejar esteve aqui em Natal
e eu não me lembrava que estaria...
e cheguei, por acaso, bem no finalzinho do bate-papo
e ele estava sentado no colo de uma moça
e falava umas asneiras...
daquelas que ele fala e a gente pensa:
"Senhor, quanta bobagem" mas acha graça
e eu que já nem gostava mais tanto dele...
quis ter um livro e entrar na fila de autógrafos
não tinha...
não entrei...
depois fiquei sonhando que o perseguia pelas ruas da cidade
voltei ao seu blog
e capturei essa crônica


Quer namorar?

A melhor agência de namoro é comprar uma passagem para bem longe.

Quanto mais longe, maior a chance de ser feliz. Não precisa usar o bilhete, é adquirir, pôr no bolso e andar com aquele olhar irresistível de janela redonda de avião.

Sempre repercute: todo mundo sente que vamos embora e ganhamos importância amorosa. Mais imbatível do que usar aliança, do que borrifar perfume de boto, do que afogar estátua de Santo Antônio.

Quer se apaixonar? Invente uma viagem. Mas tem que pagar para fazer efeito. O destino confere os depósitos bancários.

A despedida é um afrodisíaco veemente. Ficamos abertos e receptivos ao acaso.

Durante os veraneios da adolescência, em Rainha do Mar, eu me ligava na menina no último dia de férias, quando era condenado a voltar para a Capital. Amiga do Interior confessava que me amava um pouco antes de entrar no carro cheio de malas e tralhas. Dava um selinho, corria em direção aos pais e trocávamos cartas ansiosas pelo reencontro ao longo do ano.

É ter um compromisso certo e inadiável para arrumar uma paixão. Sem antítese, não há dialética, não se chega à síntese.

Adoramos uma encruzilhada, confusão, dúvidas. Adoramos a ambiguidade do aceno, que pode ser um oi e um tchau.

Ao tomar um caminho, surge outra opção até então invisível. É programar um intercâmbio no Exterior, que nos envolveremos na noite anterior ao embarque. É realizar sonho profissional de trabalhar na Europa, que antigo amor vem suplicar reconciliação.

O aeroporto e a rodoviária são altares, cupidos, balcões de suspiros.

Se você é solteiro, não entre em chats, não crie perfis falsos, não perca tempo.

As mulheres são alucinadas por homens com malas. Os homens são alucinados por mulheres atravessando o detector de metais.

Se não consegue namorado/namorada, gire o globo, pare um país com o dedo e arrebate passagens.

A distância influencia a longevidade da relação. Menos de 200 quilômetros não traz cócegas. O arrebatamento é proporcional à quilometragem. Viajar a Espumoso produzirá um rápido olhar 43, Santo Ângelo resultará em flerte, Rio de Janeiro ocasionará um caso, Natal renderá breve namoro, deslocamento ao Acre talvez pinte noivado.

Mas, para casar com véu e grinalda, aposte alto e compre passagem de ida (somente de ida!) a Bangladesh.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Passar a noite com quem se ama

Essa noite tive um sonho tão bom
um sonho meio doidinho e às avessas...
mas acordei feliz por ter passado a noite rodeada das pessoas que eu amo.

Era lá na varanda da casa do Hugão e do Brunin.... um forrozinho familiar. Eu pegava a sanfona do meu pai e começava a tocar "A Morte do Vaqueiro". O Dani chegava depressa com o copinho de cerveja na mão e dizia:
 - Opa, deixa q eu canto! Essa eu sei!
E começava a cantoria.
No sonho, a sanfona tinha um peso fora do normal e eu mal conseguia segurá-la... acho q era o peso q tinha na minha infância, quando eu bancava a fortona e me oferecia para carregá-la até o carro.
Quando acabamos a Leninha me chamou lá cozinha, onde cuidava da galinhada, e disse:
- É Betinha, você tá tocando até bem, mas a Isabela tá cantando muito melhor q você...

E de repente estávamos no Center Shopping: meu pai, eu e a Mel. Meu pai pagou a conta do restaurante, eu devolvi a carteirinha da Mel  e ela foi-se embora. Quando dei por mim, já chegava em ponta negra, na minha motinha verde, e.... putz! Esqueci meu pai no shopping! Tadinhooooo.... voltei furando todos os sinais. Quando cheguei lá, ele tava sentadinho numa mureta, no estacionamento, rabiscando um papelzinho q cabia inteiro na palma da sua mão. Tava com uma carinha de abandonado, o coitadinho... e tinha outros pais esquecidos lá, também.

Coisa triste é ver pais esquecidos...

Acordei com uma dorzinha no coração... uma saudade de todo mundo... e cantei essa música o dia todo.



Agradecimentos:

ao meu pai, com promessa de nunca mais esquecê-lo no shopping, sozinho... ao Dani, por cantar tão  direitinho e com tão boa vontade essa música q eu gosto tanto... ao Hugo e ao Bruno por emprestarem a varanda pro forró e tocarem, respectivamente, zabumba e triângulo.... à Leninha pela delícia de galinhada... à Isa pela aparição surpresa...  à Mel por me acompanhar até o shopping de Uberlândia e me emprestar sua carteirinha sei lá pra q... à minha mãe, à Érika, ao Neri e à Gil pela figuração... e à Luiz Gonzaga pela bela trilha sonora.




quinta-feira, 19 de maio de 2011

Eu sou uma chata, mesmo!


Eu não gosto de aviões do forró
Eu não frequento o vyola
Não sou chicleteira
Não vou ao show do Mr. catra
Não rebolo descendo até o chão
Não admito guitarra e bateria no forró  pé-de-serra
Não coloco queijo ralado em cima da minha macarronada
Não gosto de salões de beleza
Não curto Djavan
Não sou fã de Skol
Não torço pra nenhum time
Não fui assistir Avatar 3-D no cinema
Não faço festa na minha casa
Não conheço nenhuma música do grafite
Não visito os amigos
Não jogo baralho
Não pratico exercícios
Não participo de amigo secreto no trabalho
Raramente mudo meu pedido nos restaurantes
Não gosto de sinuca
Detesto ir ao supermercado
Sento sempre no mesmo canto do sofá
Minhas plantas morrem
Meus peixes morrem
Meus cachorros morrem
Levo bebida nas festas do tipo mulher-leva-comida-e-homem-leva-bebida
Às vezes, faço de conta q não vi alguém, só pra não ter q falar oi
Eu menti quando disse q gostava de legião urbana
 Sempre calço meias listradas, quando estou triste.


sábado, 7 de maio de 2011

As melhores coisas da vida

Nada melhor que um bom livro para se ler na praia enquanto se toma sol e água de coco.
Nada melhor do que passar o dia sendo enganada pelos amigos que estão preparando uma festa surpresa pra você.
Nada melhor que ser despertada às 5:30 da manhã e pensar “Q droga! Mais um dia de trabalho!”,  mas daí se lembrar que é quarta e que na quarta você não trabalha de manhã.
Nada melhor que pão de queijo quentinho com café no meio da tarde.
Nada melhor que ir ao dentista desconfiada que  terá más notícias e ele dizer que não tem nada pra fazer na sua boca, só passar flúor.
Nada melhor que comer aquele camarão ao molho de manga com maracujá e purê de jerimum no “Camarões”.
Nada melhor que ficar de molho por horas na banheira da minha mãe.
Nada melhor que 5 pessoas te ligarem numa noite de sexta-feira te convidando para 5 programas diferentes e você ficar numa saia justa danada por não querer dispensar ninguém e querer estar no 5 lugares ao mesmo tempo.
Nada melhor que passar uns 10 dias em Uberlândia e rever a família e os amigos queridos.
Nada melhor que  frequentar sempre os mesmos lugares e ver sempre as mesmas pessoas (vc pode até reclamar disso hoje, mas daqui um tempo vai perceber o quanto era bom).
Nada melhor que ter um carro que  te leva e te trás do trabalho, todos os dias, sem quebrar, no meio do caminho.
Nada melhor do que gostar de quem também gosta de você.
Nada melhor que uma tigela enorme de açaí com frutas num dia muito quente (principalmente, quando ele não se esquece do coco ralado)
Nada melhor que pular que nem doida (e achar q tá dançando frevo) ao som de Armandinho Macedo, de graça, na praça da árvore.
Nada melhor que encontrar um forró pé-de-serra roots, de verdade, aqui por esses lados, conseguir cortesias e dançar até fazer bolhas nos pés.
Nada melhor que um secretário de cultura  massa que sabe valorizar a música tradicional nordestina pra botar ordem no São João de Campina Grande.
Nada melhor que chorar de tanto rir, pela milésima vez, daquela história de quando seu irmão se aventurou nos prazeres do toboágua, lá pras bandas de Rifaina e emendar nessa história aquela vez q ele ficou surdo e q a gente contava piada e ele não ria, ou ainda, quando pediram para ele tocar "Chiclete com banana"  (Jackson do Pandeiro) e ele me saiu com um axé! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk


E por falar nisso hoje é aniversário deleeeeeeeeeee!!!!
\o/ vivaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!
Feliz aniversário Dani!
Eu não to aí pra te beijar e apertar suas bochechas magrinhas e mesmo se estivesse eu ainda não perdi o juízo completamente para cometer tamanha loucura suicida .... 
uhmmm.... a não ser q vc estivesse de mãos e pernas amarradas... uhmmmm...  acho q dá  pra  convencer minha mãe e a Érika a me ajudarem....  uhmmmm ... e se vc ficar muito bravo, eu posso correr e me trancar no banheiro q nem eu fazia quando era pequena... vc vai ficar lá chutando a porta uma meia hora... mas a porta aguenta... e depois vc vai cansar... eu dou uns minutinhos pra garantir e posso sair sã e salva... uhmmmm.... em  junho eu to área....  
... mas sinta-se devidamente beijado e apertado.
Muito de tudo de bom pra você!
muito das melhores coisas da vida...
muito forró
muitos amigos
muita cerveja
muito churrasco
muito trabalho na agência
muito amor de família
muito amor de érika
muito dinheiro
muito sucesso
muitas viagens a natal...
 ;)

domingo, 1 de maio de 2011

Essa sou eu, amanhã (tomara!)

Hoje é aniversário da minha mãe.


Este post é pra dizer o quanto a amo... o quanto a admiro por sua inteligência, capacidade, força, empenho, coragem, sensibilidade e ternura ... o quanto ela é importante pra mim.
Agradecer por tudo o que me deu e tem me dado e por tudo o que fez e tem feito por mim...  por seus ensinamentos, conselhos, pelo seu colo, pelo carinho, pela  preocupação e pelas broncas.
Quero dizer que minha mãe é especial ... uma das pessoas  mais lindas que eu já conheci....e que muito do que sou, hoje, devo a ela.
Fico muito feliz ao perceber que a cada dia que passa nos parecemos mais.
Me espelho em você, mãe...  e quero ser exatamente assim quando eu crescer!


Te amo, demais!


domingo, 17 de abril de 2011

Post difícil de sair...

"Elvira descansando na mesa"
 Modigliani
 1919

Não sei o que escrever...

Há dias sento aqui na frente do pc,  abro o blog e não sai nada...

Não que eu não pense em nada... não que não tenha acontecido nada... mil coisas acontecem e mil coisas passam pela minha cabeça.... mas não tenho ânimo... parece que tudo é tão cansativo... tão igual... repetitivo...  nada me interessa.

Meu lado racional me diz “procure fazer coisas de que gosta... volte a pintar... costure... não se preocupe tanto com o trabalho... não falte a yoga... durma cedo... e principalmente, não leve tudo tão à sério.”

Então nos últimos dias não gritei com nenhum aluno... não dei vistos em cadernos... não os obriguei a permanecer dentro da sala....  não cansei minha garganta... me ocupei só em encher o quadro... não gosto disso... e muito menos eles... mas precisava desse descanso.

 E na sexta fui num reggae... bebi um pouco.... conversei com pessoas diferentes... não consegui  esperar  o show começar... ando cansada...  voltei pra casa e dormi até tarde.

Fiz uma panela de brigadeiro...  dei 2 colheradas e desinteressei,  agora ela tá abandonada na geladeira...

Estourei pipoca e li mais um pedaço do meu livro...

 Costurei até tarde... reformei dois vestidos e só quando terminei  percebi que havia pregado as peças do lado avesso...

Botei no forno uma lasanha congelada, disposta a comê-la inteirinha e ganhar uns quilinhos extras (danem-se os quilos), mas consegui comer só um pedaço...

Me programei pra ver um filme na TV que começaria à meia noite... fiz minha cama na sala pra não ter o trabalho de levantar e ir pro quarto quando o filme acabasse.... dormi antes q começasse...

 Acordei  hoje de manhã com um telefonema do Marcelo e não consegui dormir de novo....

Fiz um café ...

 No msn troquei desabafos com a Pri e seguindo seus conselhos me obriguei a tirar o pijama e descer pra praia... choveu antes que eu pudesse ir...

Pensei em ir no shopping e comprar um sapato novo... outro sapato??? desisti...

Pensei em dar uma volta com a Isi...com essa chuva? desisti  tbm ...

Pensei em ligar a TV e voltar pra panela de brigadeiro... desisti...

Voltei pra net... li tudo o que apareceu na minha frente... e então li um texto de uma moça sem motivação pra escrever... e comecei  a escrever...

 O Marcelo ligou agora... e eu disse que ele estava interrompendo meu processo criativo (tadinho)... vou ligar de volta e me desculpar...

Acho que sei do que  preciso... além de trabalhar menos e ganhar mais, claro

de uma psicóloga... de uma banheira... de  uma amiga...

quinta-feira, 24 de março de 2011

Que nem cachorro feliz...

Meu professor de yoga me perguntou no fim da aula: “Karen, quando vc medita pra onde vc vai? passado ou futuro?”

Mas não era pra ficar no presente???? Não é possível! Tudo bem que não sou uma expert em meditação, todo mundo sabe disso e quem não sabe pode imaginar mas será que nem cara de quem tá  no presente eu consigo fazer????

O professor já de longe me vê sentadinha com as pernas cruzadas e os olhinhos fechados e saca na minha cara malandra de quem tá lembrando ou planejando alguma coisa. É um tal de sorrizinho de lado q me entrega. Certeza!

Todo mundo concentrado, respirando, repetindo mantras pra ajudar a se manter no presente e a minha mente a mil por hora procurando coisas pra se distrair... correndo atrás do próprio rabo, que nem cachorro feliz.... é isso... ela corre atrás do próprio rabo, entende oq eu digo? Procura desesperadamente o q fazer, o negócio dela é não deixar a Roberta (mais conhecida como Karen, nas aulas de yoga) se concentrar... quando não tem nada de bom pra ela se ocupar ela escarafuncha o fundo do baú de lembranças e me sai com o dia em q a minha professora do pré chegou na sala de aula mascando chiclete e a turma toda reparou,  então ela disse: “olha gente, não é certo mascar chiclete , eu só estou mascando hoje pq não tive tempo de escovar o dentes, depois do almoço!”

Meodeusssss!!! Tá de brincadeira, né!!!!! Me explica, por favor, pq diabos a pessoa tem que lembrar de uma coisa dessas no meio da meditação quando devia estar concentrada no presente?????

Enfim... Passado, né! Sem dúvida nenhuma.... dá só uma espichada de olho nesse blog e constate vc mesmo... um saudosismo sem fim!

Então o professor disse: “Mentes orientadas para o futuro tem maior disposição a ansiedade e ao pânico enquanto q mentes orientadas para o passado estão mais predispostas a nostalgia e a depressão.”


É mesmo? Tá explicado!
Por isso o coração sempre apertado...





sábado, 26 de fevereiro de 2011

Para o melhor pai do mundo


Hoje quero escrever sobre meu pai.
Amanhã é aniversário dele.
Uma das boas lembranças do meu tempo de criança éramos nós 4 deitados nos estilo mandruvás, como costumávamos nos deitar, uns com a cabeça na barriga dos outros e uma mistura de pernas que ficava, completamente, indistinguível saber qual era de quem. Isso acontecia quando íamos à praia, provavelmente na Bahia, que era pra onde íamos todos os anos, e vamos até hoje. Íamos de carro com caminhas estrategicamente montadas no assoalho do banco de trás, que permitiam a mim e ao Dani viajar dormindo confortavelmente.
Naquela época não se precisava usar cintos de segurança, cadeiras especiais para crianças pequenas, nada disso... acho que ainda não haviam inventando o acidente de automóvel. A vida era muito tranquila e boa e viajávamos de Uberlândia a Porto Seguro ao som de Luiz Gonzaga, Elba Ramalho e mais umas 2 ou 3 fitas cassetes guerreiras que nos acompanharam por anos a fio e que, com certeza, escolaram a mim e ao meu irmão na paixão pelo forró pé-de-serra. Minha mãe também levava algumas fitas do gosto dela, muito boas, por sinal, Gilberto Gil, Chico Buarque, Gal Costa.... mas a proporção com que eram ouvidas, nos dois dias de viagem, era de 1 vez a cada 10 repetições da Elba.
Enfim, deitávamos como mandruvás e pedíamos pra que meu pai nos contasse as histórias do seu tempo de menino, quando ainda morava em Petrolândia- PE  e minha mãe dizia: De novo????
 Ele contava as mesmas histórias que iam de molecagens que tinham a ver com um pedaço de pau que ele e os colegas passavam no cocô, a inundação da cidade, pelo rio São Francisco, até histórias de lampião protagonizadas por um tio dele, soldado, não sei bem, mas que ele chamava de “caçador de lampião”. Nós já conhecíamos essas histórias de cabo-a-rabo e já sabíamos cada detalhe antes mesmo dele falar, ainda assim adorávamos, e minha mãe ria e olhava pra ele com cara de “ah-meu-bem-para-de-inventar”. A gente nem ligava. Meu pai não mentia. Ficávamos horas com os olhos arregalados e os ouvidos atentos a cada palavra.
Hoje, depois de adulta percebo porque ele conseguia com que a gente prestasse tanta atenção às suas histórias. É um jeito dele de contar as coisas, assim, nos mínimos detalhes. O que ele pode resolver em uma frase do tipo: Preciso ir à casa de Licinha consertar a máquina de costura dela. Ele prefere dizer assim: Esses dias fui na casa da sua avó porque precisava levar uns remédios pra ela e o Totó (o cachorro que miava, de acordo com minha tia Gracinha, vê-se que a imaginação fértil é de família) tava lá e quando Licinha chegou,  Gracinha teve que prender o Totó porque ele tá maior que ela! Licinha disse que ele se parece demais com o cachorro dela só que o dela é menor e mais bravo e que outro dia rosnou para tia Djanira  que tinha ido lá fazer uma visita. Ela tomou um susto e bateu a mão, sem querer, na máquina de costura de Licinha e quebrou uma peça lá... Aí vou aproveitar que tenho que ir na oficina pagar o  Lourival... acredita que ele me cobrou uma fortuna por aquele conserto????? E já passo em Licinha pra consertar a máquina dela...
Isso é outra característica marcante do meu pai. Ele conserta tudo. Qualquer coisa que estiver quebrada, com mau contato nos fios, chiando, emperrada, cambeta, desafinada, desajustada, meu pai conserta. Aqui em casa, aguardamos ansiosamente o dia em que ele virá para consertar os trancos das portas, as lâmpadas que não querem acender, as torneiras que não param de pingar, a geladeira que tá derramando água... enfim... meu pai dá um jeito em tudo num piscar de olhos.
Outra boa lembrança eram as festas que não acabavam mais. De acordo com minha mãe herdei do meu pai o talento para boemia. Lembro-me dele sempre colocando a sanfona no porta-malas do carro. E minha mãe respirava fundo porque já sabia que a noite ia ser longa e que muito provavelmente nós seríamos os últimos a irmos embora da festa. E aí, chegava a minha hora preferida, a hora em que meu padrinho falava: Cunhadão, agora canta as músicas da sua terra! Ninguém sabia cantar, mas todo mundo adorava ouvir e ele me chamava e eu sentava do lado dele pra ajudar cantar as músicas de sempre: “O último pau de arara”, “Moxotó”, “Abc do sertão”, “Propriá” .... Ainda faço isso e adoro.
Eu sei que esse texto já tá enorme e tá com cara de que não vai acabar nunca... mas é aniversário do meu pai e eu não posso escrever sobre ele sem falar do quanto ele amado por todo mundo que o conhece.... meu pai é daquelas pessoas que não tem como vc não gostar. Nos seus aniversários ele não convida ninguém, não precisa. Minha mãe já manda logo fazer uma panelada gigante de galinhada, feijoada, ou alguma coisa assim, porque sabe que menos de 60 pessoas não aparecem por lá... é gente que não acaba mais... um entra e sai o dia inteiro e, um pico de concentração com recorde de mais pessoas por metro quadrado, na hora do jantar. 30 camisas é a média que ele ganha por aniversário. E não é só gente que gosta do meu pai não hein, tem bicho também.  Ele cuida do Junin (um salsicha carinhosamente apelidado, por mim, de Chatin) com o maior amor do mundo, assim como cuidou do Kim e como cuida das tartarugas que esticam o pescoço pra ele coçar e arranham suas pernas pra que ele as pegue no colo que nem cachorro faz ( eu não acreditava até ver com meus próprios olhos). Passei a minha vida toda vendo meu pai dedicar horas e muita paciência para cuidar de passarinhos adoentados em caixas de sapatos, preparar água doce para beija-flores, salvar mosquitos de afogamento em copos, retirar carinhosamente besouros de dentro de casa, conversar com maritacas e fazer amizade com qualquer bicho que se aproximasse.
Amanhã é o dia dele... que seja um dia especial porque meu pai é uma pessoa especial. Com certeza, uns dos filhos prediletos do Papai-do-céu e que merece toda felicidade e todo amor do mundo.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Time que está ganhando

Ao contrário de 2010, não fiz lista de coisas a se cumprir no decorrer desse ano, pelo simples fato de que isso nunca funcionou comigo. Até tinha algumas idéias e planos em mente, mas a tática dessa vez foi ficar bem caladinha e fingir de morta... talvez assim as coisas saíssem do papel.
E vejam só! Quem diria! Não é que estão saindo...
Acontece que não aguento ficar calada muito tempo... e cá estamos, no meio do mês de fevereiro e ainda não contei para o mundo minhas novas proezas que não param de coçar na minha língua, digo, nos meus dedos.
Vamos lá!

Novidade 1- Emprego novo. Fui chamada pra tomar posse do meu cargo de professora aqui do município de Natal, o que é ótimo, pois ando precisada de um dinheirinho extra; mas ao mesmo tempo é ruim, pois adeus soninho delícia da manhã que tanto adoro.

2- Ganhei uma cachorrinha nova. O nome dela é Isi, uma rot, de 7 meses, enorme, linda, dengosa, companheira do Ru-ru, comedora incansável de salsichas e destruidora de jardins altamente treinada para aniquilar enfeites presenteados pela D. Carminha, minha sogra.

3- Comprei uma máquina de costura sem saber costurar, e em 3 longos dias de fuça-fuça já fiz uma meia dúzia de roupinhas que me deixam muito orgulhosa de mim mesma, mas que, certamente, causarão faniquitos nos entendidos de costura mais sensíveis.

4- Aproveitando que estou numa fase de longas madeixas, que todo mundo adora, mas que me deixam com uma cara danada de crente, fiz 4 dreads q são puuuuuro sucesso e que provavelmente, causarão balançadinhas de cabeça, do tipo “essa-menina-é-um-caso-perdido”, no seio familiar.

5- Estou fazendo yoga. Confesso que eu tinha um pézinho atrás com o lance da meditação, que, diga-se de passagem, nunca foi algo encontrado no hall de coisas que atraem Roberta. Resolvi experimentar pela parte física mesmo, de alongamento, de força muscular, por aí. E não é que me surpreendi muito com a meditação! Estou amaaaaaando. Me sinto tão bem disposta que até tô cuidando melhor da casa, cozinhando mais e comendo salada. Acreditem se quiser!

Vou manter a tática em relação às coisas que ainda não realizei, afinal, não se mexe em time que está ganhando. Mas ao que tudo indica, logo logo teremos mais novidades.

Me aguardem! mwuahahuahsuasha (risadinha maléfica no final para gerar suspense)




Em breve fotos dos meus novos modelitos...=)


sábado, 12 de fevereiro de 2011

É hoje!

12 de fevereiro... já no finalzinho... mas eu não podia, de maneira alguma, deixar passar em branco o aniversário de Dominguinhos!

Que Papai do Céu conceda a ele muitos anos de vida para q ele continue emocionando e trazendo tantas alegrias ao coração dessa forrozeira apaixonada.

E aí vai uma das minhas músicas preferidas...

Desilusão

                     






quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A ciência a serviço dos maridos trapaceiros

    Resolvi dar uma faxina daquelas em casa. Há tempos tava adiando isso e nada melhor que um início de ano pra botar tudo em ordem.
    Meu marido tem uma mania de guardar tudo pra depois vender... mas nunca vende e os trambolhos dele só ficam entulhando minha casa.
    É negativo de foto, slide, banco de bicicleta quebrado, celular tijolão, vídeo cassete que não funciona, caixas de som que não funcionam, figurinhas de animais selvagens do chocolate surpresa, óculos de sol de mil novecentos e bolinha, caneca de time da época da faculdade.... uma tranqueira que não acaba mais.
    O engraçado é que uma vez por ano resolvo fazer uma limpeza dessas.... e já notei que sempre jogo as mesmas coisas fora... não sei oq acontece mas, miraculosamente, elas voltam pras gavetas... ou melhor, sei sim... pura trapaça!
    Eu vou jogando tudo no lixo e ele, de fininho, vai tirando tudo do lixo e acha que eu não tô vendo!
    - Neguin pq c tá resgatando esse celular do lixo?
    - Nãaaaaaaaaao! Num joga ele fora, não! Guarda aí q eu vou vender!
    -Vender???  Pra quem???  Tá doido??? Ninguém quer essa porcaria aí não! Não se usa mais celular sem chip!
    Ele  mais q depressa corre pra internet pra ver se acha algum ser interessado na raridade...
    Minutos depois...
    - Neguin, dá um jeito nessa pilha de papel que tem dois anos que vc disse que ia organizar e guardar no arquivo e ela tá aqui até hoje!
    - Ah tá! Deixa aí q vou arrumar...
    -Quando?
    -Daqui a pouco.
    - Agora! Vai! Pode ir q eu tô te olhando... (e fico olhando mesmo!)
    É sério! Eu não aguento! Dou chilique! E ele me chama de chata.... Eu acho graça pq sei q é verdade!  
    -Mas eu sou japonês e isso é herança genética! Vc não pode querer mudar até meu código genético, né?!
    - Hein???
    - Tá comprovado que os japoneses depois da segunda guerra mundial, quando o Japão foi devastado, precisavam guardar tudo pq não tinham nada e não sabiam do que poderiam precisar.
    - Pronto! Só faltava essa! Agora ele tem desculpa esfarrapada com embasamento histórico-científico...


    Ah. Olha só quem eu achei no meio da bagunça!
ouhnnnn... um filhotinho de iguana

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Fome de leão


Meu coração tá apertadinho hoje.

Acho q é o fim do ano se aproximando e querendo transformar, de novo, o meu presente em passado... as minhas vivências em memórias... tantas coisas lindas, bacanas e outras nem tanto q acabarão como meras recordações e farão parte do meu álbum de saudades.

Que esse meu apego excessivo pelo presente (q já é quase passado) não me impeça de perceber as novas alegrias q ainda estão por vir...
E q essas alegrias não me ceguem diante das q passaram e q me foram e são tão importantes.
Que esse passar do tempo não afogue sentimentos q acabaram de nascer e não me leve amigos de infância q acabei de conhecer...
E se, por acaso, levar q as lágrimas não turvem meus olhos a ponto de não me deixar enxergar e agradecer pelos q ficaram e/ou sempre estiveram ao meu lado.
Que tudo conquistado ainda seja meu no ano q vem...  
Mas aquele "meu" q deixa livre pq sabe q não se vai pq não se quer partir.
Que eu saiba compartilhar todo esse amor q Deus colocou aqui dentro...
E q, de tão gigante, por tantas vezes me sufoca.


E se Clarice estiver certa quando diz q: "a saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença"...


Cuidem-se! Ando numa fome de leão! 

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Tô sem freio!

Perdi o freio, de novo!
Tá vendo! Eu falo q têm coisas q só acontecem comigo e vcs acham q é exagero.
Mas não conheço ninguém q tenha perdido o freio 3 vezes!!!
Quando eu digo "perdi" tô me referindo ao meu carro, tá.... ele é uma extensão de mim....
ah!
Tá explicado pq vive perdendo o freio...
=P


Achei um episódio do Tom Sem Freio (1967)... desenho antigo é massa!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

É o creme, Jorge!

Hoje, remexendo em velhas memórias, me lembrei de um costume antigo e há muito esquecido por mim. Inventar doença para faltar à escola. Depois de dezenas de tentativas frustradas, descobri q a melhor maneira era ir à escola e inventar um mal-estar repentino por lá mesmo. Muito mais fácil enganar professoras, diretoras, freiras e porteiros do q enganar mães (especialmente a minha).
 Descolava uma respiração ofegante, uma cara sofrida e me reencostava na parede. Imediatamente era avistada pela professora e levada às pressas à sala da tia Sidônia q me colocava sentada numa daquelas cadeiras com fios de silicone e me arrumava uma colherinha com sal. Eu não fazia idéia pra q servia, mas achava muito interessante e de alguma forma sentia q aquilo era vida q eu tinha pedido a Deus.
 Talvez por isso, ainda hj, tenho uma fixação enorme por essas cadeiras.  Logo q me casei quis q as cadeiras da minha casa fossem uma espécie de releitura daquelas, mas acabei descobrindo q fica muito mais em conta comprar dois bancos enormes q sempre cabem mais um do q 4 cadeiras personalizadas q deixam o resto da família de pé.  Quanto ao sal, somado a cadeira, vai muito bem com uma cervejinha gelada.
Enfim, o fato é q de caso pensado e friamente calculado, eu fazia a pobre da minha mãe se despencar lá do centro da cidade e sair do trabalho no meio do expediente na junta comercial pra me pegar na escola, já completamente esquecida  do teatro de moribunda, com um sorrisinho maroto e a cara mais lavada desse mundo.
É claro q ela já entendia td quando dobrava a esquina e eu me levantava bem depressinha do chão, ansiosa pra entrar no carro e finalmente chegar em casa pra assistir a sessão da tarde na tv. É claro tbm, q ela não deixava barato e a bronca durava o tamanho da viagem da escola pra casa.... ainda bem q não morávamos muito longe.
Por isso rolava certa ansiedade na hora de saber quem ia poder se ausentar do trabalho pra me buscar na escola. Eu ficava na torcida pra q não fosse minha mãe... pq eu sabia q ela ia sacar tudo na primeira olhadela q me desse. Se fosse meu pai tava tranquilo, mas melhor mesmo era que fosse o Jorge. O Jorge era um amigo do meu pai, q quebrava o galho de vez em quando, levando e buscando a mim e ao meu irmão na escola, na natação, ou onde quer q fosse... o cara era gente boa demais. Eu desconfiava q era pq ele morava em Monte Alegre e uma cidade com um nome desses devia ser mesmo habitada só por pessoas legais. Mas a melhor parte não era isso. A melhor parte é q ele ia de caminhão.... nóooooooooooooooo era doido demais.... como eu amava andar de caminhão.
Não sei por anda o Jorge, nunca mais tive notícias dele, me lembro de poucas coisas, mas com muito carinho. Só sei q ele era de  Monte Alegre, trabalhava na retífica com meu pai, dirigia um caminhão, tinha um filho gordinho com quem ele dizia q eu ia me casar, uma barba sempre por fazer, a carinha boa, a risada fácil, e quando chegava de manhã lá em casa, pra nos levar à natação, sempre comentava do cheiro bom da nossa touca e eu dizia: não é da touca, é o creme q a minha mãe passa no nosso cabelo! E ele perguntava: onde compra uma touca cheirosa assim? 

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Uma brucutu


Ouvi um barulhinho atrás do fogão. Corri pra sala e me muni de inseticida e de coragem para, cuidadosamente, esticar o pescoço e descobrir quem fazia o barulho. Era uma barata. Não dessas normais... uma barata selvagem.
Houve um tempo em q eu podia dizer: “não mato baratas selvagens” e me orgulhava disso. Partia do princípio de q se elas não moram no esgoto, não correm rápido e daquela forma desesperadas q as baratas correm e não voam, é pq são gente boa e não merecem ser mortas.... e foi assim durante um longo tempo. Até o dia em q uma se aventurou a entrar voando pela minha janela e correr pelo chão da minha sala destruindo, por completo, minha crença na possibilidade de convivência pacífica com elas.
As baratas selvagens são assustadoramente grandes, mas um pouco menos feias q as normais.... vistas de barriga pra baixo, é claro. O fato, é q nesse fatídico dia assassinei minha primeira barata selvagem. Não sei se era rebeldia de barata, só sei q essa foi a primeira e única selvagem q voou e correu e, portanto, a primeira e única q matei. Hoje, estou de volta aos bons tempos de poder afirmar q não mato baratas selvagens. Trata-se de um princípio, tal como, não possuir passarinhos engaiolados, não cortar rabo de cachorro, não jogar lixo no chão ou não misturar molho branco com molho vermelho. Enfim, é como um acordo: se ela não me incomoda, eu não a incomodo tbm!
Acontece, q eu achei q poderia lavar a louça tranquilamente, enquanto a pobre descansava as perninhas ali perto do fogão.... mas logo ela veio em minha direção, dei um pulo pro outro lado da cozinha, ela se virou, mirou no pé e veio de novo... eu mais uma vez dei um pulinho pro outro lado e lá veio ela. Aí perdi a paciência, né, pq não tenho sangue de barata e gritei: AÍ NÃO MINHA FILHA! TÁ PEDINDO PRA MORRER! Ela me olhou e quase pude enxergar seus olhinhos... se virou e saiu pela porta, civilizadamente. Pensei: selvagem? Só se for no nome! Pois como são finas as baratas selvagens.... sem gritarias, sem escândalos, sem chororô, nada, nada... simplesmente juntou sua trouxinha e foi-se embora.
Fiquei achando q tenho um dom... tal como o da tia Fia, a matriarca da família. Reza a lenda q ela fez de tudo pra acabar com as formigas q invadiram sua cozinha, usou todos os tipos de veneno e de mandingas para espantar as desagradáveis visitantes e nada deu certo... até o dia em q ela puxou uma cadeira, se sentou, e teve uma conversa de mulher pra formiga explicando bem direitinho pq elas não eram bem vindas ali naquele lugar. As formigas compreenderam e nunca mais apareceram.
Digo isso, pq já andei observando q basta um bom berro enfurecido para q os passarinhos q moram no meu cajueiro se calem e me deixem dormir sossegada de manhã.         
Eu acho lindo acordar com o barulho dos passarinhos, tão bucólico... acontece q tem um bem-te-vi aqui, q comanda a festinha, q não tem o menor senso de “sua liberdade termina onde começa a do outro”, ele acha q pra cantar bonito tem q cantar gritado... julga q pode competir com as maritacas no quesito gogó de ouro.  Ele atiça todos os outros passarinhos e apronta uma verdadeira rave passarística na minha janela todos os dias de manhã .... e muitas vezes só se calam depois de acabarem completamente com minha paciência, me fazerem levantar, abrir a janela e gritar: OOOOOOLHA O EXAGEEERO!!!! No entanto, soam como palavras mágicas.... eles se calam e eu volto a dormir.
Claro q não é pq eu tenho um dom... ou acho q tenho... ou tenho muita vontade de ter, rs...  q não tenho muito q aprimorá-lo. Afinal, no frigir dos ovos quem é a selvagem? Não chego nem perto da elegância da tia Fia, nem da finesse das baratas selvagens, tão pouco da compreensão das formigas e menos ainda do bom humor do bem-te-vi. Resolvo tudo na base do berro! Tô bem mais pra uma brucutu do q para uma lady.  
Mas eu ainda chego lá!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Doce mentira



“Prefiro a pior verdade à melhor mentira”

Li isso recentemente no perfil de alguém e me danei a pensar...
Então quis saber quem disse isso q todo mundo fica repetindo q nem disco furado (é... sou da época dos discos furados, mesmo!)
Descobri q uma porção de gente gosta dessa frase... e fiquei pensando será q eu tenho problema?
Pq eu, definitivamente, não gosto!

A vida da gente é pra ser boa (taí uma coisa q não me canso de dizer).... não pra ser correta... claro q uma coisa nem sempre exclui a outra, mas quando excluir eu escolho a boa!
Sabe de uma coisa.... ninguém vive numa realidade total e diga-se de passagem isso seria muito chato.

Por isso prefiro uma ilusão terna e acolhedora à uma realidade difícil e cruel, prefiro os delírios à rotina, a magia à sensatez, a poesia ao informativo, a inspiração à transpiração, os desenhos animados ao telejornal.

Tem alguma coisa errada comigo ou o resto do mundo, realmente, pensa q gosta da verdade?

Quem gosta quando aquela parenta olha pra vc e diz: “ menina, mas vc engordou, hein!”? Ela pode te dizer isso da forma mais delicada e carinhosa do mundo. Ela pode te dizer isso ao mesmo tempo em q te beija as bochechas, numa atitude do tipo “te amamos, mesmo gordinha”. Não importa o quão sincera seja, isso te remeterá, na hora, ao beijo de Judas e te condenará a fugir eternamente do garçom com a bandeja de salgadinhos. 
O problema não é a forma de dizer e sim o conteúdo do q foi dito.
Ou quando vc faz um penteado elegante e seu namorado diz: "isso aí  na sua cabeça é um ninho de passarinho?" Equivale a jogar um piano de cauda na sua cabeça. Te obriga a voltar pro quarto já com os scarpins nas mãos em completa atitude de derrota e pensamentos suicidas.

Que seja verdade, eu não quero ouvir! 
Quero comer salgadinhos sem culpa.... com a mesma espontaneidade e alegria dos meus sobrinhos. Quero achar q todos me olham pq meu penteado é, simplesmente, um sucesso!
Quero ouvir q sou a mulher mais linda do lugar mesmo tendo a plena consciência de q pelo menos umas 57 são mais bonitas do q eu.

Aquela velha história de “sou sincera, falo tudo na cara” é muito triste pq quase sempre extrapola o bom senso. É claro q não se deve abrir mão da sinceridade, mas deve- se impor um limite a ela - o limite do carinho.

Nem toda mentira é maldosa, e uma mentirinha do bem pode tornar a vida tão mais fácil, tão mais simples, tão mais feliz. 

Não me privem das doces mentiras!